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A decisão dos EUA de classificar facções brasileiras como terroristas é vista como uma tentativa de limitar a soberania do Brasil, segundo especialistas.
A recente decisão do governo dos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras como terroristas é vista como uma consequência da nova doutrina da administração Trump para a América Latina, que impõe uma soberania limitada aos países da região. Especialistas em geopolítica, economia e relações internacionais, consultados pela Agência Brasil, analisam que essa medida busca subordinar as decisões do Brasil aos interesses de Washington.
De acordo com o professor de relações internacionais da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Borba Casella, essa classificação pode permitir que Trump adote ações semelhantes às que foram tomadas contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores.
“O enquadramento como organização terrorista, pela lei americana, permite que o governo dos EUA ataque agentes de tais entidades, sem necessidade de declaração de guerra, nem autorização do Congresso dos EUA”,destaca o especialista.
O cientista político Francisco Carlos Teixeira da Silva argumenta que a decisão se insere na doutrina da soberania limitada, que vem sendo aprofundada pelo governo Trump.
“Os EUA estabelecem o fato de que os países da América Latina têm soberania limitada pelos interesses americanos”,afirma o professor aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Além dos casos da Venezuela e Cuba, Teixeira menciona o México, onde facções também foram classificadas como terroristas. Ele alerta que essa classificação pode ter consequências diretas, como evidenciado pela intervenção da CIA no país.
“A classificação [de organizações como terroristas] não vem sozinha, ela vem com consequências”,conclui.
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Agência Brasil EBCCompartilhe esta notícia:
